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Superação marca a prova para os amadores no XTerra Brasil


Por Alexandre Koda | 31/08/2009 - Atualizada às 19:01


Confira algumas imagens da prova
Alexandre Koda/ www.webrun.com.br
A água estava quente, então a roupa de borracha não foi liberada
A água estava quente, então a roupa de borracha não foi liberada
Foto: Alexandre Koda/ www.webrun.com.br
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No último sábado (29) aconteceu na região da Costa Verde do Rio de Janeiro, entre Angra dos Reis e Mangaratiba, a quinta edição do XTerra Brasil, competição que teve 1,5 quilômetros de natação em mar aberto, 29 de mountain bike e nove de corrida em trilhas. A prova contou com cerca de 700 atletas e para vários deles a palavra superação resume o que foi o evento.

Angra dos Reis (RJ) - A largada da prova foi às 9h na areia da praia em frente ao Hotel Portobello e, assim que a buzina autorizou a saída dos atletas, uma multidão entrou no mar em direção à primeira bóia. Com metade do percurso vencido, todos tiveram que sair da água, dar a volta no pórtico instalado na areia e retornar para nadar a segunda perna.

A correria na área de transição era grande, com os óculos e toucas deixados de lado e trocados pela bike, sapatilhas de pedalar, capacete e a indispensável caramanhola com isotônico ou outros líquidos. O primeiro trecho do ciclismo era uma tranqüila rodagem pelo asfalto no interior do hotel, apenas para reaquecer a musculatura.

O sossego durou pouco, pois ao acessar a fazenda anexa ao empreendimento, os obstáculos começaram a surgir. Além da terra batida, constante companhia por todo o percurso, os triathletas tiveram que encarar muita lama, travessias de rios, pontes e ter muita disposição para encarar as subidas e descidas íngremes das trilhas.

Já no trecho de corrida um dos pontos mais complicados era o “Sumidouro”, um grande buraco de água barrenta, no qual os atletas tinham que atravessar com lama até a cintura. Apesar de ser um trecho curto, muitos tiveram dificuldade de superar rapidamente a adversidade, pois começavam a sentir fortes câimbras. Quem não quisesse se sujar poderia dar uma volta maior por um trecho de gramado e contornar uma palmeira.

Impressões - Câimbras e dores musculares acompanharam muitos dos competidores até a linha de chegada, momento de verdadeira redenção. Ainda emocionada por ter conseguido chegar ao final, Ana Mazzocato conta qual foi o incentivo para não desistir. “Foi pedreira. Na bike eu estava com muita dor na musculatura e só saí para correr porque sabia que meus filhos estavam me esperando”. Ela disputou a prova pela primeira vez e conta que não arriscou entrar no sumidouro. “Não quis ficar com o pé pesado, mas inevitavelmente tinha uma outra lama mais para frente”.

Ainda ofegante, Bernardo Pedrosa comparou o XTerra com outros eventos. “É pior do que uma maratona ou um meio ironman. Isso aqui é superação, garra, força, treino, é emocionante”. Também debutante na competição, ele deu um recado para quem estava de fora. “Digo que todo mundo que tiver um mínimo de amor à vida tem que participar para dar valor. Também é importante para valorizar a natureza e o companheirismo”. Ele optou por atravessar a lama e perdeu quase 10 minutos, pois as pernas simplesmente travaram.

O experiente Sidney Marques, que correu pelo terceiro ano, elogiou a organização e a estrutura deste ano. “Essa foi a melhor prova de Angra até agora. Eliminaram a parte do aeroporto e foi muito divertido”, relata o competidor se referindo a um antigo trecho do percurso que passava ao lado de um pequeno aeroporto da região. “Não melhorei muito o meu tempo desta vez, porque não treinei direito e vim mesmo para participar”, finaliza.

Carol Alves foi uma das triathletas que chegou em pior estado ao final. Ela se sentiu mal no meio da prova e contou com a ajuda de outros competidores, que avisaram os médicos do percurso. A equipe chegou a subir uma ladeira de barro para socorrer a atleta, mas ela passou correndo por eles e gritou alto. “Estou melhor, só entro na ambulância depois da chegada”.

Ela cruzou o pórtico e cambaleou pelas grades de proteção até cair no chão, enquanto os enfermeiros de plantão iam a seu encontro. “Foi uma verdadeira superação. Comecei a sentir dores desde o quilômetro seis da corrida”, contou a atleta antes de ser levada para o ambulatório.


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