Músculos, Ingestão Protéica e Envelhecimento - O envelhecimento natural é associado com o declínio da massa muscular e a conseqüente perda de força e potência muscular, há também queda da capacidade aeróbia, de habilidades físicas funcionais e mudanças no sistema endócrino. Há ainda redução de ingestão e síntese protéicas (responsável pela formação de músculos).
Com a idade aumenta a necessidade de ingestão de proteína por um provável declínio da habilidade do músculo do idoso usar e manter os aminoácidos (AAs) provenientes da dieta, apesar de haver uma mínima alteração na extração de energia dos alimentos com o envelhecimento.
As mudanças na composição corporal do idoso têm importantes implicações epidemiológicas em larga escala. Isso porque, a perda de peso tem nesse grupo um efeito prejudicial na saúde e na condição física equivalente ao ganho de peso!
A desnutrição é um dos fatores que contribuem para essas perdas podendo ser reduzida pelo aumento da ingestão protéica, calórica ou ambos já que eles têm um estado nutricional inadequado. Entretanto, tentativas de ganho de massa muscular e de força com suplementos convencionais ou dietas hiperprotéicas foram sem sucesso.
A redução da atividade física com o envelhecimento também afeta a massa muscular. A manutenção desse fator mais o aumento da ingestão de proteínas pode exercer relativa influência, mas não necessariamente cessar tais perdas em idosos.
A Sarcopenia - A Sarcopenia pode ser definida como sendo um problema multifatorial caracterizado pela perda de massa muscular com o envelhecimento. Há assim um aumento da fadiga que pode ocasionar dependência funcional e morbidade. Ela é o denominador comum do processo de envelhecimento responsável pelo declínio do desempenho físico com redução da capacidade de ativação das fibras musculares e decréscimo da tensão de algumas fibras específicas.
A Sarcopenia aumenta ainda a susceptibilidade a quedas que podem resultar em lesões e perda da independência. Não há um consenso se ela deveria ser vista apenas como um processo normal do envelhecimento ou então como uma doença apenas quando induz a disfunções. Mas é um fato que ela está também relacionada com processos como queda da taxa metabólica basal, mudanças nas necessidades nutricionais (homeostase de glicose e metabolismo lipídico), função imune, osteoporose e qualidade de vida.
Sabe-se já que os músculos não são afetados da mesma maneira pelo processo, pois depende do grupo muscular. O decréscimo na massa muscular é maior nos membros inferiores e nas fibras brancas (as de contração rápida). Mas ainda é inconclusivo se é maior em mulheres ou em homens. Por sua vez, algo a se preocupar é que a mensuração subestima as perdas por superestimar a massa muscular. Ou seja, a perda pode ser ainda maior do que o considerado atualmente.
Suplementação e Treinamento - O treinamento de força induz em idosos aumentos na testosterona livre assim como induz a um aumento na retenção e ganho de massa muscular. Há também um decréscimo de cortisol no repouso. Porém, essas mudanças tendem a acontecer somente na primeira fase do treinamento não sendo conclusivo em fases mais avançadas.
Um Suplemento Nutricional ou uma Intervenção Nutricional poderiam ser utilizados no tratamento da Sarcopenia estimulando o anabolismo muscular mais eficientemente que o alimento ou que um suplemento protéico convencional, pois foi demonstrado que os AAs estimulam a síntese muscular em idosos. Porém é ainda desconhecido se todos ou se qualquer AA é realmente necessário para se alcançar este efeito.
Um cuidado a ser tomado é para evitar que o idoso, que é suplementado, não reduza a ingestão habitual de alimentos mantendo o total calórico consumido para que a suplementação não seja um substituto alimentar e sim um suplemento.
Há evidências recentes que a presença de carboidrato (CHO) em suplementos para idosos não seria benéfico porque prejudicaria a resposta anabólica se comparado aos AAs isolados. A presença de CHO nos suplementos utilizados em pesquisas anteriores pode explicar a ineficácia das intervenções nutricionais.
A essa incapacidade do sistema endócrino dos idosos se comparado ao dos jovens indicaria uma plasticidade perdida ou alterada com o envelhecimento do organismo.
Os AAs essenciais demonstraram-se responsáveis primários na estimulação do anabolismo protéico em idosos enquanto os demais não provaram nenhum estímulo adicional significante. Assim, supõe-se que o suplemento eficaz deveria conter AAs essenciais e NÃO conter CHO aumentando-se assim a eficiência no tratamento da Sarcopenia.
Para terminar temos que a ingestão de proteína rapidamente após o exercício é muito importante, pois o tempo pós-exercício para esta ingestão parece ser importante na taxa de hipertrofia muscular. Sendo assim, a biodisponibilidade de AAs no plasma parece ser o maior regulador da síntese e da oxidação de proteína nos idosos.
Em idosos uma proteína de rápida digestão-absorção induz a uma maior retenção protéica pós-refeição se comparada a uma de lenta digestão-absorção. Como conclusão teríamos que em idosos a whey protein acabaria sendo melhor aproveitada do que a suplementação por caseína podendo assim ser mais benéfica inibindo a perda protéica.