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Colocar as calorias no cardápio resolve o problema de obesidade?


Por Prof. Danilo Balu | 30/09/2009 - Atualizada às 19:13

Um pesquisador certa vez conduziu um experimento onde ele disponibilizava pedaços de um bolo para cada participante. Para metade deles ele colocou o garfo sem faca como se faz em bolo de festa de aniversário, espetado em cima enquanto para outros ele colocava o garfo ao lado do prato, como pratos de refeição em um restaurante comum. Aqueles com o garfo espetado comeram muito mais do que os demais porque interpretaram a posição do garfo como um sinal que indicava trata-se de uma porção individual. Ou seja, como já disse aqui, o quanto se come é algo mais complexo do que parece.

Há agora uma nova lei em algumas das grandes cidades americanas exigindo que restaurantes deixem disponível a quantidade de calorias dos seus pratos de uma maneira fácil e didática ao lado dos preços no cardápio, já que disponibilizar esse tipo de informação está ficando cada vez mais popular por lá. Mas isso ajudaria quem quer ter uma alimentação mais adequada?

Não sabemos ao certo, porque não há dados que comprovem que haja esse tipo de efeito. Não se sabe ainda o tamanho da mudança causada no indivíduo, já que os poucos estudos, geralmente se aplicam a somente uma refeição isolada no dia sem levar em conta as refeições seguintes nem as anteriores, ou ainda o hábito do sujeito como um todo. Inclusive sabe-se que é muito comum o sujeito exagerar na refeição seguinte quando escolheu algo mais saudável que a sua média habitual na refeição anterior.

Nós muitas vezes consumimos e calculamos nossas refeições de acordo com o ambiente. Quando estamos na churrascaria rodízio ou em um caro restaurante vegetariano levamos em conta o modo de preparo dos pratos para calcular o quanto comemos em calorias. Porém, não são poucos os estudos que mostram que consumimos muito mais do que o que imaginamos consumir, mesmo em locais considerados de alimentação mais saudável.

Para piorar esse fato, um programa de TV da ABC2 levou ao laboratório alguns pratos para saber o quão preciso eram os cardápios. Para surpresa de todos, a imensa maioria deles era descrito como sendo mais saudável do que a realidade mostrou. Entre outras coisas porque a legislação não especifica sequer se a cobertura do sorvete e os acompanhamentos dos pratos entram no cálculo. Além disso, ninguém acha que cada porção de batata frita será igual em peso e tamanho, ou seja, não há especificação de precisão, então fica ao gosto do restaurante e assim a variação somente aumenta.

Alguns estudiosos crêem que a tal nova lei de colocar calorias dos pratos já no cardápio poderia reduzir em 150.000 o número de obesos somente em Nova Iorque e em 30.000 o número de diabéticos por lá. Uma pena que isso seja um completo chute sem embasamento, porque uma pesquisa revelou que apenas 5% dos nova-iorquinos revelaram prestar atenção nas novas informações e acabaram por consumir menos de 55 calorias que os demais.

Por outro lado, 82% deles disseram que mudariam seus hábitos, mas os pesquisadores sabem que pesquisas com hábitos nutricionais é bem parecido com pesquisa sobre comportamento sexual, as pessoas dizem exageradamente o que fazem escondendo o que pode parecer errado ou exagerado aos olhos dos outros.

Pra fechar, feitas as contas chegamos que essa lei influenciaria apenas algo como uma em cada 15 refeições, já que nem todos os restaurantes serão obrigados a adaptar o cardápio e também porque muitas das refeições são feitas em casa ou em outros estabelecimentos. Por fim, seria um direito do consumidor saber essas informações? Sem dúvida, mas estamos vendo que essa prática está longe de ser algo que realmente seja importante, efetivo ou fundamental para um estilo de vida mais saudável.

Prof. Danilo Balu


Consultor Webrun da seção nutrição. Bacharel em Esporte pela Universidade de São Paulo (EEFE-USP) e também graduado em Nutrição (USP). Mais no blog: www.baluzao.com

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Prof. Danilo Balu

Consultor WebRun da seção nutrição. Bacharel em Esporte pela Universidade de São Paulo (EEFE-USP) e também graduado em Nutrição (USP).











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