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Por Danilo Balu | 25/07/2012 - Atualizada às 18:48

Motivos que nos fazem engordar podem estar equivocados. Parte I

Talvez tudo o que saibamos sobre nutrição possa estar ultrapassado...

  • O fast food é apresentado como o grande vilão da nutrição Crédito: lockstockb/ Stock.Xchng

E se o julgamento dos motivos que nos faz engordar já estiver equivocadamente encerrado? E se, como em tantas outras vezes quando falamos de saúde, o veredicto tenha sido mais uma vez errado? E se tudo, TUDO o que nos disseram até hoje, assim como inúmeras outras vezes na história da medicina for um grande, um enorme erro na leitura de todas as evidências? E se as evidências carecem de cuidados básicos na conduta das pesquisas? E se tudo – repito - TUDO for um imenso, um vergonhoso e desastroso equívoco?

Em 1934, a pediatra alemã Hilde Bruch se mudou para Nova Iorque e notou um incrível número de crianças obesas no novo país, os EUA. “Qual o problema com elas?”. Ela começou então a tentar tratar os obesos. Fazê-los comer menos (dieta hipocalórica) e não resolveu. Mesmo eles passando muita fome não houve sucesso. Veja bem, isso foi duas décadas antes da explosão do fast food, justamente hoje apontado como um grande vilão.

Michael Pollan em “In Defense of Food” (1957) levanta a tese que diz que não deveríamos comer mais do que o corpo precisa. Esta é a ideia central do “balanço calórico”, pois o peso seria resultado da aritmética da entrada (consumo de calorias) com a saída (gasto energético). Ideia tão persuasiva, simples e convincente que acabou virando uma lei impossível de ser contestada. Passamos desde essa época a adotar isso como base. Vejam só, seguimos orientações datadas de 1957 sem contestação!

Malcolm Gladwell em um interessante texto de 1998 disse que a medicina ortodoxa tende sempre a assumir como correto algumas diretrizes do passado, mas uma análise calma mostra que frequentemente ela está errada. Cabe a nós ver se esta, o controle do peso pelo “balanço calórico”, também é correta.

Poucas pessoas vêm mexendo mais na nutrição do que um jornalista incapaz de diferenciar um rabanete de um salame. A incompetência de Gary Taubes vestindo um avental em um consultório é diametralmente oposta à sua obsessão por revisar tudo o que foi produzido vergonhosamente de maneira equivocada no assunto “controle de peso”. Para Taubes, o balanço (ou equilíbrio) calórico, base de toda a nutrição hoje, é um completo non-sense. E é difícil não prestar muita atenção ao que ele diz. Sua tese é longa e complexa, mas resumidamente ele diz que não engordamos por comermos demais, nem tampouco por nos movimentarmos de menos.

Hormônios e calorias - Muito provavelmente a perda de peso de alguém com sobrepeso se dará sacrificando alguma coisa, mas o que exatamente deve ser sacrificado? E este é o drama, pois infelizmente a nutrição e seus profissionais não sabem, por mais que eles tentem te convencer do contrário. Há uma lógica cruel no raciocínio de Taubes ignorado por muitos: o crescimento de uma pessoa está sempre relacionado aos hormônios e não à quantidade energética consumida.

Um adolescente ou uma criança não cresce por que ela come demais, mas ela come demais porque ela cresce. E por que então não seria assim também no momento de engordar? Por que comer mais seria uma causa? Mais do que balanço energético, quando o indivíduo engorda estamos falando de um desbalanço hormonal, não calórico. Nesta lógica, segure-se! Nós comemos mais porque estamos engordando e não o contrário! Comer mais é uma consequência do engordar e não sua causa!

Discordâncias teóricas à parte, o que nenhum profissional da área nega é que com o aumento da insulina na corrente sanguínea há acúmulo de gordura. A insulina está diretamente relacionada ao nosso consumo de carboidratos. Quanto mais carboidrato comemos, mais engordamos.

Antes de você negar tudo, aviso, voltaremos ao tema no próximo artigo, já que o assunto é longo e exige espaço. O que peço é que leia com calma, sem conclusão pré-concebida; isto porque a ineficiência e incompetência de médicos, nutricionistas e educadores físicos na orientação para perda de peso é tão escandalosa que o assunto deveria ser menos discutido como religião e mais como ciência. Se o “remédio” dieta hipocalórica vem sendo aplicado há décadas sem sucesso, será que eles estão mesmo certos do que dizem? Não é hora de rever muita coisa?

Quando falamos em nutrição, o que mais preocupa é que, infelizmente, a aplicação de ciência é o que menos existe. Acompanhe nos próximos artigos. (Parte 2)

Danilo Balu


Consultor Webrun da seção nutrição. Bacharel em Esporte pela Universidade de São Paulo (EEFE-USP) e também graduado em Nutrição (USP). Acompanhe o seu Twitter.

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